Uma queda pode parecer um acidente sem grandes consequências para um adulto jovem. Para uma pessoa idosa, porém, ela pode representar o início de uma perda importante de autonomia, mobilidade e qualidade de vida.
No Dia Mundial da Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, vale lembrar que a maioria desses acidentes pode ser evitada com medidas relativamente simples, como adaptações no ambiente, fortalecimento muscular, revisão de medicamentos e acompanhamento profissional.
Mais do que evitar fraturas, prevenir quedas é preservar a independência e a dignidade na velhice.
As quedas são mais frequentes do que imaginamos
Estudos internacionais e dados amplamente divulgados por organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que cerca de um em cada três adultos com 65 anos ou mais sofre pelo menos uma queda por ano. Após os 80 anos, esse risco aumenta ainda mais.
As consequências costumam ser importantes, e vão além, apenas das escoriações e possíveis fraturas. As quedas (especialmente quando acontecem mais de uma vez) habitualmente causam insegurança, levando à redução das atividades físicas e fobia social.
Uma queda pode ter consequências que vão muito além do momento do acidente
Entre as lesões mais preocupantes está a fratura de quadril, frequentemente associada à fratura do fêmur proximal.
Pesquisas apontam que entre 20% e 30% dos idosos que sofrem uma fratura de quadril podem falecer no período de um ano após o evento, em razão das complicações decorrentes da cirurgia, da imobilização prolongada ou do agravamento de outras doenças.
Mesmo entre aqueles que têm uma sobrevida mais longa, muitos não recuperam completamente a independência anterior e passam a necessitar de auxílio permanente para atividades da vida diária (AVDs).
Por que os idosos caem?
Na maioria das vezes, não existe uma única causa.
O risco aumenta quando fatores como envelhecimento natural, doenças crônicas e ambiente inadequado se combinam.
Entre os principais fatores estão:
- perda de força muscular;
- alterações do equilíbrio e da marcha;
- redução da visão e da audição;
- uso de múltiplos medicamentos;
- pressão baixa ou tonturas;
- doenças neurológicas;
- comprometimento cognitivo;
- calçados inadequados;
- obstáculos dentro de casa.
Como prevenir quedas dentro de casa?
Escolha corretamente os calçados
O calçado ideal deve ser:
- fechado e firme no pé;
- com solado antiderrapante;
- de salto baixo ou sem salto;
- ajustado ao tamanho do pé;
- com boa sustentação do calcanhar.
Devem ser evitados:
- chinelos de dedo;
- pantufas frouxas;
- sandálias sem apoio no calcanhar;
- sapatos com salto alto;
- calçados muito gastos ou escorregadios.
Atenção aos tapetes
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, tapetes decorativos são uma das principais causas de tropeços em idosos.
Sempre que possível, recomenda-se retirar tapetes soltos dos ambientes de circulação.
Se o uso for indispensável, como em algumas áreas do banheiro, eles devem ser antiderrapantes, estar perfeitamente fixados ao piso e nunca apresentar dobras ou pontas levantadas.
Mantenha a casa segura
Algumas mudanças simples reduzem bastante o risco:
- boa iluminação em todos os ambientes;
- luz noturna para o trajeto até o banheiro;
- corredores livres de objetos;
- fios elétricos organizados;
- barras de apoio em banheiros;
- pisos secos e limpos;
- móveis posicionados para facilitar a circulação.
Exercício físico é uma das melhores formas de prevenção
Manter-se ativo ajuda a preservar força muscular, coordenação motora, flexibilidade e equilíbrio.
Programas orientados por fisioterapeutas ou profissionais habilitados, além de caminhadas, exercícios de fortalecimento e treino de equilíbrio, reduzem significativamente o risco de quedas.
No Lar União, a fisioterapia e as atividades voltadas à mobilidade fazem parte do cuidado contínuo oferecido aos residentes, respeitando as necessidades e limitações de cada pessoa.
Não faça tudo com pressa
Muitas quedas acontecem durante atividades rotineiras.
Levantar-se rapidamente da cama, correr para atender ao telefone, subir em bancos para alcançar objetos ou carregar muitas coisas ao mesmo tempo aumentam o risco de acidentes.
Movimentos lentos e planejados são importantes aliados da segurança.
Hidratação também ajuda a prevenir quedas
Com o envelhecimento, a sensação de sede tende a diminuir.
A desidratação pode causar tonturas, queda da pressão arterial, confusão mental e sensação de fraqueza, favorecendo acidentes.
Criar o hábito de beber água regularmente é uma medida simples que contribui para a prevenção.
O que fazer quando um idoso cai?
Essa é uma das dúvidas mais importantes e um dos erros mais frequentes.
Nunca tente levantar imediatamente a pessoa puxando pelos braços ou colocando-a em pé às pressas.
Caso exista uma fratura na coluna, no quadril ou no fêmur, esse movimento pode agravar significativamente a lesão.
Antes de qualquer ação:
- Mantenha a calma e tranquilize o idoso.
- Verifique se ele está consciente e respirando normalmente.
- Pergunte onde sente dor.
- Observe se existe deformidade, sangramento ou incapacidade de movimentar algum membro.
- Se houver dor intensa, suspeita de fratura, batida na cabeça ou dificuldade para se levantar, acione imediatamente o serviço de emergência ou procure atendimento médico.
Se a pessoa estiver consciente, sem dor importante, conseguir movimentar braços e pernas e aparentar estar bem, ainda assim é recomendável que seja avaliada por um profissional de saúde, e submetida à exames de imagem, especialmente quando houver uso de anticoagulantes ou histórico de osteoporose.
O papel da prevenção em instituições especializadas
A prevenção de quedas não depende apenas da atenção do idoso ou da família.
Ela envolve avaliação contínua dos riscos, adaptação do ambiente, estímulo à mobilidade, revisão de medicamentos e atuação integrada de diferentes profissionais.
No Lar União, médicos, equipe de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e demais integrantes da equipe multidisciplinar acompanham constantemente os residentes, identificando fatores de risco e adotando estratégias personalizadas para promover segurança, autonomia e qualidade de vida.
Envelhecer com segurança é envelhecer com dignidade
Cada queda evitada representa mais do que a prevenção de uma fratura.
Representa a preservação da independência, da confiança para caminhar, do convívio social e da liberdade de viver plenamente.
Investir em prevenção é investir em qualidade de vida. E esse é um compromisso que deve envolver famílias, profissionais de saúde e toda a sociedade.
